Teste ao Samsung Galaxy Tab 10.1v – parte 2
by Rui Tukayana on June 2, 2011
Se no primeiro texto que escrevi sobre o Galaxy Tab 10.1v as coisas eram todas uma maravilha, a verdade é que neste segundo as coisas já não vão ser assim.

Samsung Galaxy Tab 10.1v
Ocorreu-me a expressão “desgaste rápido”. Depois de um periodo de graça, rapidamente se instala um outro, mais sombrio.
Seguem-se alguns minutos de descasca
Começo por-me irritar com a Google e com a app que a Google disponibiliza para se trabalhar com os Google Docs. Confesso-me fanático por este serviço da Google e mesmo as minhas grandes reportagens escrevi-as todas ali. Recomendo a toda a gente.
Mas não na app para o Android.
É que este programinha não funciona como deve ser! Supostamente foi produzido pela Google para se trabalhar com os documentos e arquivos estacionados no Google Docs. O problema é que não permite editar os documentos tipo Word. Simples textos! Não dá!
Criar novos textos? Também não!
Claro que podemos sempre socorrer-nos da versão mobile do Google Docs, mas se era para isto, mas vale nem se terem dado ao trabalho de criar esta app!!!
Devo ainda referir que este drama acontece apenas no processador de texto, já que na folha de cálculo, apesar de impraticável, a verdade é que dá para editar e trabalhar.
O que vale é que o Galaxy Tab 10.1v vem com uma outra app que permite escrever ficheiros .doc e sincroniza-los com o meus Google Docs. Mas esta não é da Google (chama-se Quick Docs).
Edit:
Já depois de ter escrito este email, reparei que a Google lançou entretanto uma nova aplicação para os Google Docs no Android. Aparentemente é espantosa mas ainda não experimentei. Só não percebo é porque o sistema não a actualiza automaticamente.
Pelos vistos a Google demorou um ano e tal a resolver este problema da edição de textos na app do Google Docs (já era assim no Android 2.x) mas finalmente se tratou do assunto.
Continuando…
Sim, o Android está melhor do que estava há um ano atrás mas mesmo assim ainda não me esta a convencer como eu gostaria.
Continuo a ter uma outra queixa antiga: já era mais do que tempo de abrirem o sistema a mais do que um utilizador. Não entendo porque é que aqui em casa não posso partilhar o meu tablet com a minha namorada. Se nos smartphones isso não faz sentido, cada um tem o seu, claro, mas nestes tablets acho que faz. Repito: eu gostava que alguém se pudesse ligar ao meu equipamento Android com o seu próprio nome de utilizador e passwords. Assim, evitavam ver os meus emails e tudo o que é privado. Compreendo que Apple não faça isso no iPad porque eles se estão a marimbar para isso, mas a Google, que em teoria é mais “aberta” bem que podia abrir este campo da utilização dos tablets. Enfim…
Mais coisas que me chateiam: não tem corrector ortográfico em português e não é fácil desligar um programa que esteja a correr. Não é fácil mas devia ser. Devia ser muito fácil mesmo!
Mas não é só da Google que eu tenho razões de queixa
O hardware do Galaxy Tab 10.1v também já me está a chatear! Porque raio é que retiraram o slot SD?!? Só pode ter dado uma coisinha muito má aos designers da Samsung! O Galaxy Tab original (de sete polegadas) tinha um slot desses e este (o sucessor do de sete polegadas) não tem nem um microSD!!!
Porque é que eu acho que uma coisa destas é importante? Ora, por exemplo para quem tem uma máquina fotográfica! A minha opinião é que dá muito mais jeito ver/editar as fotografias num ecrã mais generoso do que no das respectivas câmaras. Para além disto, no meu caso pessoal, o meu gravador de sons também usa um destes cartões e, para mim, é absolutamente mandatório que os tablets ou computadores tenham um slot desses. Sem isso, nada feito.
Mas a coisa continua. É que a Samsung continua a optar por evitar as portas USB.
É engraçado que tenham tomado esta opção porque fazem com que o Tab seja muito semelhante a um outro tablet, um tal de iPad. Chiça! Porque é que não fazem uma máquina DIFERENTE do iPad?!? Diferente para melhor, com mais possibilidades de se tirar partido dela!!!!
Se eu quisesse um tablet estanque ia comprar um iPad que mete mais estilo, é mais barato e em termos de comportamento é mais fiável.
Coisas que gostei
Antes das coisas que gostei, mais uma coisa que me deixou estupfacto
Há algo de muito errado na aplicação “Gallery/Galeria” que onde aparecem as imagens que temos no Picasa ou as que estão guardadas na memória do equipamento. As fotografias não aparecem nítidas e aparecem com demasiado grão! Parece que estamos a olhar para as fotografias que tiramos, mas numa versão com menor qualidade. À primeira nem liguei. Pensei que era dos meus olhos e que estava a precisar de me ir deitar, mas afinal não é de mim. Aqui a PC World queixa-se do mesmo.
Coisas que gostei
Há algumas coisas que a Google faz bem em aprender com a Apple, e a aplicação para o GMail serve de exemplo disso mesmo. Ainda bem que foi pelo mesmo caminho, já que funciona muito bem.
A navegação na internet também está bastante agradável. É rápida e o zoom para o texto funciona como é suposto. Já disse e volto a dizer, navegar na net neste tipo de aparelhos (na altura referia-me ao iphone, mas já posso generalizar para os tablets) é uma maravilha. Melhor que num PC. Mas sublinhe-se que também aqui o Samsung Galaxy Tab às vezes se engasga e para voltar a si pode demorar.
Gostei MUITO do copy+paste. Está melhor que no iPad.
O teclado também está mais funcional, mas o ecrã do iPad continua a ser mais certeiro. Ainda me engano muitas vezes a escrever. Pensava que me ia adaptar mais rapidamente.
O aspecto gráfico/interface do Android merece ser reconhecido. A rapaziada fez um bom trabalho.
Google Market: agora sim, o armazém onde são guardadas todas as aplicações para o Android está a funcionar em prol do utilizador.
Pensamentos finais
Para além de todo o fel que regorgitei até agora, ainda tenho umas coisas a dizer. Depois de alguns dias de utilização, sublinho que tenho muitas reticências quanto à fiabilidade de tudo isto. Não sei se é culpa do hardware se do sistema operativo, mas a verdade é que este equipamento já bloqueou demasiadas vezes para o meu gosto. Por exemplo, a enviar este texto feito no Quick Office (o tal que é fornecido com o Galaxy Tab) para o Google Docs a aplicação bloqueou duas vezes.
Para ser franco, no entanto, sinto-me mais inclinado a culpar a Google do que a Samsung. É que a sensação que dá é que este Android 3.0 não está terminado. Ainda tem muitas arestas por limar (menos uma agora que a app do Google Docs funciona).
Feitas as contas este Samsung tem de ser colocado frente a frente com o Apple iPad 2 e, admitindo que conheço mal esse equipamento, algumas coisas posso dizer com muita certeza: o iPad é mais fiável e tem mais variedade de programas (com qualidade).
No fundo, o que sinto é que alguém se esqueceu de testar sistema operativo Honeycomb (ou seja, Android 3.0) antes de o lançar publicamente. Eu sei que a Google tem o hábito de disponibilizar serviços que ainda não estão totalmente finalizados e isso não tem nada de mal quando se trata de coisas gratuitas. O problema é que o Galaxy Tab 10.1v e todos os outros tablets não são gratuitos. Custam um dinheirão e é suposto (pelo preço que custam) funcionarem bem melhor do que funcionam na realidade e neste campo a culpa e toda do software e do sistema operativo!
Conclusão
Sei que estou a dar muita força aos pontos fracos. Mea culpa. Pondo a mão na consciência, este mix Android / Galaxy Tab 10.1v não merece assim tanta pancada.
De facto, a terceira versão do Android é um passo grande na direcção certa e vai ficar ainda melhor (é o que dizem) com o 3.1. O que acontece é que não gostei mesmo nada de ver o Android falhar em coisas que não devia. Se calhar são coisas que para a maioria dos utilizadores não faz diferença (refiro-me ao Google Docs que até já está resolvido) mas também aquilo das imagens na galeria.

Depois de algum tempo de utilização fiquei com a impressão clara que o Galaxy Tab 10.1v não é (mesmo) tão fiável quanto o iPad, mas para quem procura um sistema alternativo àquele que a Apple propõe, então está aqui uma eventual solução. Há outras, se calhar mais baratas que também podem ser “a tal” solução.
Se para efeitos de utilização a coisa não for muito mais além do que os mails, navegar na net, ouvir música, ver uns vídeos em sítios como o Youtube, e estar sempre ligado à net para uma qualquer eventualidade, então este chega.
Mesmo assim, se me perguntassem se eu era capaz de comprar um tablet com Android 3.0, mesmo com slot SD e com uma porta USB eu acho que iria responder que não. Prefiro esperar. Ainda não sinto que é uma ferramenta de trabalho em que posso confiar como confio no meu portátil. Estar no caminho certo é diferente de já ter lá chegado e sinceramente, a Google ainda não chegou lá. Está quase lá, mas ainda tem um trilho para percorrer.
E depois para juntar a tudo isto ainda há um ponto que me deixa confuso
Lá fora (leia-se nos Estados Unidos e provavelmente noutros sítios) a Samsung ainda não lançou o Galaxy Tab v10.1. Pelo que consegui perceber a empresa sul-coreana vai esperar que o Android 3.1 seja lançado pela Google. O que se diz é que o 3.1 é mais estável e melhor do que o Android na versão actual. Ora, esta ideia parece-me óptima e muito acertada mas fico sem perceber porque é que não se optou pela mesma solução aqui, do lado direito do Atlântico. Tenho a impressão que se poupavam algumas das minhas críticas.
Refira-se também que o design desse Galaxy Tab v10.1 vai ser diferente daquele que temos por cá, o que é sempre uma maravilha para nos confundirmos todos e para não sabermos de que equipamento é que se está a falar, se da versão americana se da europeia.
Nota:
Neste momento estou “longe” do Galaxy Tab 10.1v, mas amanhã já o terei comigo pelo que posso responder a perguntas ou dúvidas que tenham sobrado e que queriam ver esclarecidas. Também vou tentar deixar aqui mais fotos.
Depois de muito procurar, não foram encontrados textos relacionados com este.

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